sábado, 24 de outubro de 2015

Síntese da Abordagem Histórica da Teologia Prática

"Teologia Practica. Teoria y Praxis de la Accion Pastoral " -  Casiano Floristan.

O artigo de Casiano Floristan aborda a história da Teologia Prática, onde a divide em nos seguintes temas:
  • A práxis de Jesus
  • A ação pastoral da Igreja primitiva
  • A ação pastoral na história da Igreja
  • História da Igreja pastoral
A práxis de Jesus
A práxis de Jesus está relatada nos evangelhos, estes não são apenas relatos biográficos, são testemunhos de fé, da práxis pré-pascal e pascal de Jesus. A fé expressa-se de acordo com as imagens que temos de Jesus Cristo, que é o centro de toda a ação pastoral, e que nos remete para um pensamento cristológico. 
O povo cristão confessa a sua fé através imagens iconográficas e representações conceptuais de acordo com aspetos culturais, afirmações conciliares, sínteses catequéticas, rituais litúrgicos e livros de devoção.
A ação pastoral após a Segunda Guerra Mundial manifesta-se por dois modelos: um mais conservador com uma cristologia pastoral dedutiva que levou a uma Igreja centrada na sua problemática interna; o outro modelo é mais progressista com cristologias pastorais genealógicas, sendo estas cristologias mais sensíveis à dimensão social e política dos relatos evangélicos.
A práxis de Jesus assenta em modelos de comportamento descritos nos evangelhos, onde Lhe é aplicado os seguintes títulos: Cristo, Messias, Senhor, Salvador, Filho de Deus.
Referir que Jesus é o profeta do reinado de Deus, que Jesus chamou os discípulos para a tarefa de antecipar a chegada do reinado de Deus e que Jesus atua em consciência de ser de Deus a quem chama Pai, é uma reflexão sobre as dimensões da práxis de Jesus.
Os milagres, o perdão e a comunidade da mesa são ações essenciais na práxis de Jesus que é delineada por três níveis: económico; político; ético-social.

A ação pastoral da Igreja primitiva
A análise no Novo Testamento é fundamental para se conhecer a ação pastoral da Igreja primitiva, nomeadamente os Actos e as Cartas apostólicas.
O surgimento da Igreja primitiva divide-se em três etapas: Jesus de Nazaré (6 a.C. - 30 d.C.);as comunidades (anos 30 - 70); redação dos escritos (70 - 100 d.C.). O Cristianismo primitivo desenrolou-se em dois meios culturais, o mundo helenístico-romano e o mundo da Palestina judaica.
Os textos do Novo Testamento permitem compreender os critérios pastorais na Igreja primitiva relativamente: à missão evangélica que está ao serviço da palavra; à celebração litúrgica e ao serviço sacramental; à comunidade eclesial e ao serviço de comunhão; aos cristãos na sociedade com serviço de transformação.

A ação pastoral na história da Igreja
A ação pastoral da Igreja no decorrer da sua história, nem sempre tem sido coerente com a totalidade do seu ministério, isto percebe-se pela análise das diversas imagens e conceções: ação pastoral da Igreja no império romano (séc. II - III), como povo de Deus, a Igreja recebe a missão de evangelização; época patrística (séc. IV - VII), o Cristianismo deixa de ser uma religião proibida e passa a ser religião oficial do estado; época medieval, ação pastoral da Igreja na cristandade (séc. VIII - XV), época de grandes implicações estatais para a Igreja; época moderna, ação pastoral da Igreja na Reforma e Contra Reforma (séc. XVI - XVIII), onde a Igreja deve ser entendida como instituição e instrumento de salvação; época da Ilustração e do Liberalismo (séc. XVIII - XIX), vive-se um clima de confrontação com o protestantismo, com uma pastoral da diferenciação, centrada em defender e preservar os católicos das heresias; primeira metade do séc. XX, a ação pastoral da Igreja anterior ao Vaticano II, época das renovações bíblicas, litúrgica e patrística.

História da Igreja pastoral
Uma das características mais marcantes da teologia nos últimos anos é a sua dimensão pastoral e a sua consideração prática, mas este não foi um percurso fácil. 
No ano de 1215 se decretou a importância da educação do clero no trabalho pastoral. Atribui-se a Pedro Canisio (1521-1597) a utilização, pela primeira vez, da denominação de Teologia Prática, mas apenas em 3 de outubro de 1774, se formou a disciplina Teologia Pastoral, por um real decreto da imperatriz Maria Teresa de Áustria, que aceita um plano de reforma dos estudos eclesiásticos. 
A teologia pastoral católica passou por diferentes etapas: a primeira de conceção pragmática, não teológica; a segunda de conceção bíblica e histórico-salvífica; a terceira de conceção eclesiológica; a quarta de conceção clérical.
K. Rahner foi fundamental para um novo impulso da teologia pastoral.Com o Concílio Vaticano II a Teologia Pastoral é considerada uma disciplina rigorosa e autónoma, que tem como objeto a Igreja.

3 comentários:

  1. O trabalho está muito bem fundamentado e organizado.

    ResponderEliminar
  2. Luís, excelente síntese para ficarmos com uma visão geral da Teologia Pastoral. Valorizo o facto de manteres a estrutura dos temas que Casiano Floristan utilizou. Bom trabalho!

    ResponderEliminar
  3. Também gostei da tua organização. Torna mais fácil a leitura e a análise.
    Considero que a tua síntese está muito completa, simples mas completa. Parabéns!
    Aguardamos a publicação da tua tabela...bom trabalho!

    ResponderEliminar