quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Ação Pastoral - Paróquia do Senhor da Vera Cruz, Candal, Vila Nova de Gaia

"Catequesis Evangelizadora" - Emilio Alberich Sotomayor

Alberich refere a importância de colocar a ação catequética como destaque de um projeto pastoral convicto e com espírito evangelizador. Tendo em conta as circunstâncias atuais da Igreja é necessário redescobrir e reformular a identidade cristã, como missão e como experiência de fé, numa sociedade em transformação. É fundamental os cristãos entenderem a importância da sua missão enquanto pessoas e comunidade.

À luz do Concílio Vaticano II, a Igreja, é "Sacramento Universal de Salvação", tendo como objetivo e tarefa fundamental da sua ação "estar no mundo e para o mundo ao serviço do Reino". O lugar da Igreja no mundo deve ser por excelência de serviço, fraternidade, anúncio e de festa, sendo quatro os sinais evangelizadores ao serviço do Reino e que manifestam a missão da Igreja no mundo: diaconía - a comunidade cristã é chamada a manifestar um novo modo de amar e servir; koinonía - os cristãos devem manifestar um novo modo de conviver e de partilhar, são chamados a anunciar o Reino da fraternidade; martyría - os cristãos devem ser portadores de esperança pelo anúncio de Jesus de Nazaré, que revela o amor do Pai e inaugura a vinda do Reino; liturgia - os cristãos devem anunciar e celebrar o dom da salvação.

O processo de evangelização realiza-se de acordo com etapas que descrevem o dinamismo da ação eclesial, essas etapas são: a ação missionária (dirigi-se aos não crentes e aos que estão religiosamente distantes); a ação catecumenal (atividades de acompanhamento para aqueles que escolhem o caminho da fé); a ação pastoral (ação dedicada para a comunidade eclesial) e a presença e ação no mundo (os cristãos devem estar ao serviço do Reino de Deus no mundo).

A ação eclesial necessita de estar organizada ao nível institucional, no qual pertencem as pessoas, serviços e estruturas que são necessários para o cumprimento da missão da Igreja.

Assim, de forma mais concreta, abordo a ação eclesial na Paróquia do Senhor da Vera Cruz, Candal, Vila Nova de Gaia. Através da consulta do endereço eletrónico da paróquia verifico que é um meio de anúncio, de partilha, de apelo, de oração e de vida. A sua organização vai ao encontro dos sinais evangelizadores e respeita as etapas do processo de evangelização. Exemplo disso são os encontros entre as comunidades da Paróquia do Senhor da Vera Cruz e da Paróquia de Santa Marinha, que têm o mesmo Pároco em comum. Encontros de reflexão, oração, tendo em conta as orientações da Diocese do Porto e encontros de peregrinação. Na sua organização a Paróquia conta com várias estruturas que promovem a ação pastoral, como a catequese, grupo de jovens, o curso bíblico, reflexão de temas dedicados à família, entre outros.

Desta forma, esta paróquia assume a missão "Todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar e anunciar a Boa-Nova de Jesus, o Messias" (Actos 5, 42).



sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

O que distingue a Teologia Prática das outras áreas do saber teológico, no contexto da universidade?

A Teologia Prática contribui na ação cristã na realidade do mundo. É a prática da ação cristã por meio da Igreja no mundo e para o mundo. Ao refletir sobre a Teologia Prática enquanto área do saber teológico, é necessário perceber o conceito de Eclesiologia Existencial e de pastoral. 

A Eclesiologia Existencial reflete sobre o dinamismo vital do/no Corpo Místico de Cristo, que nos remete para o carácter comunitário e universal da Igreja. Referir Corpo de Cristo, permite à Igreja tornar-se presente na história, permitindo o diálogo com a cultura, as ciências humanas e outras confissões religiosas, desta forma a Igreja existe e desenvolve a sua ação na realidade contemporânea. A reflexão teológico-pastoral é uma reflexão no âmbito da fé.

A Teologia Pastoral continua a ser objeto de discussão quanto ao seu estatuto científico. A Teologia Pastoral tem como objeto material a vida (pastoral) da comunidade cristã e tem como objeto formal a ação eclesial, aqui e agora, na sua atuação e projetualidade, sob um horizonte hermenêutico da fé. Para melhor clarificar o conceito pastoral utiliza-se três estratos, que são:
  • a pastoral fundamental - reflexão sobre a ação em si mesmo, é a consciência do próprio ser;
  • a pastoral especial - pastoral numa situação concreta;
  • especificidade da Teologia Pastoral.

A Teologia Prática/Pastoral deve estar entre a teoria e a prática, assim a sua reflexão deve apoiar a criação de conceitos teóricos, com base na análise da realidade numa perspectiva teológica. J.-M. Donedani refere que a Teologia Prática como disciplina específica "procura elaborar um pensamento crítico a partir da experiência da fé". Ela é parceira dos outros saberes (ciências humanas), critica positivamente permitindo que estes se desenvolvam.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Cronologia da Teologia Pastoral

Tempo
Espaço
História Universal
Teologia Geral
Teologia Prática
Século XVIII
1760




1774



1789


Inglaterra

Europa


Áustria



França


Revolução Industrial
Iluminismo
Josefinismo
Absolutismo
Reforma universitária implantada por Maria Teresa de Áustria
Revolução Francesa
Unilateralidade visível e hierárquica da teologia tridentina na sua conceção eclesiológica;
Igreja ao serviço do poder;
Decadência das ciências teológicas.

Nascimento da Teologia Pastoral;
Os pastores estudam em exclusivo a teologia pastoral;
Surge como uma arte e uma técnica;
Pragmática.
Século XIX
1844

1871




1869




Inglaterra

França
Alemanha

Itália


“A origem das espécies”, Darwin
Imperialismo Inglês
Escola metódica
Positivismo
Unificação da Alemanha
Concílio Vaticano I
Orientação eclesiológica de A. Graf, na escola de Tubinga;
A teologia é a autoconsciência científica da Igreja;
Conceitos românticos da escola de Tubinga – a Igreja é um organismo vivente que se edifica a si mesma;
“Dei Filius”
Orientação bíblico-teológica da escola de Tubinga;
Importância da obra de J. A. Möhler;
O pastor está ao serviço da revelação, sendo a Igreja mediação;
Sagrada Escritura como base da Teologia Pastoral;
Época dos manuais de pastoral.
Séculos XX - XXI
1914

1939

1962
1974
1989

2001



Mundo


Itália
Portugal
Alemanha

EUA/Mundo


1ª Guerra Mundial

2ª Guerra Mundial
Guerra Fria
Concílio Vaticano II
Revolução de Abril
Queda do muro de Berlim
Terrorismo
Constituições do Vaticano II: Dei Verbum, Lumen Gentium, Sacrosanctum Concilium e Gaudium et Spes;
Condenação do Fascismo, Nazismo e Comunismo;
Espirito Ecuménico;
Teologia da Libertação.

Renovações bíblicas, litúrgica e patrística;
K. Rahner teve um contributo importante na teologia pastoral;
Maior importância às questões pastorais;
Pastoral de conjunto;
Igreja diocesana como unidade pastoral;
Maior intervenção dos leigos.

sábado, 24 de outubro de 2015

Síntese da Abordagem Histórica da Teologia Prática

"Teologia Practica. Teoria y Praxis de la Accion Pastoral " -  Casiano Floristan.

O artigo de Casiano Floristan aborda a história da Teologia Prática, onde a divide em nos seguintes temas:
  • A práxis de Jesus
  • A ação pastoral da Igreja primitiva
  • A ação pastoral na história da Igreja
  • História da Igreja pastoral
A práxis de Jesus
A práxis de Jesus está relatada nos evangelhos, estes não são apenas relatos biográficos, são testemunhos de fé, da práxis pré-pascal e pascal de Jesus. A fé expressa-se de acordo com as imagens que temos de Jesus Cristo, que é o centro de toda a ação pastoral, e que nos remete para um pensamento cristológico. 
O povo cristão confessa a sua fé através imagens iconográficas e representações conceptuais de acordo com aspetos culturais, afirmações conciliares, sínteses catequéticas, rituais litúrgicos e livros de devoção.
A ação pastoral após a Segunda Guerra Mundial manifesta-se por dois modelos: um mais conservador com uma cristologia pastoral dedutiva que levou a uma Igreja centrada na sua problemática interna; o outro modelo é mais progressista com cristologias pastorais genealógicas, sendo estas cristologias mais sensíveis à dimensão social e política dos relatos evangélicos.
A práxis de Jesus assenta em modelos de comportamento descritos nos evangelhos, onde Lhe é aplicado os seguintes títulos: Cristo, Messias, Senhor, Salvador, Filho de Deus.
Referir que Jesus é o profeta do reinado de Deus, que Jesus chamou os discípulos para a tarefa de antecipar a chegada do reinado de Deus e que Jesus atua em consciência de ser de Deus a quem chama Pai, é uma reflexão sobre as dimensões da práxis de Jesus.
Os milagres, o perdão e a comunidade da mesa são ações essenciais na práxis de Jesus que é delineada por três níveis: económico; político; ético-social.

A ação pastoral da Igreja primitiva
A análise no Novo Testamento é fundamental para se conhecer a ação pastoral da Igreja primitiva, nomeadamente os Actos e as Cartas apostólicas.
O surgimento da Igreja primitiva divide-se em três etapas: Jesus de Nazaré (6 a.C. - 30 d.C.);as comunidades (anos 30 - 70); redação dos escritos (70 - 100 d.C.). O Cristianismo primitivo desenrolou-se em dois meios culturais, o mundo helenístico-romano e o mundo da Palestina judaica.
Os textos do Novo Testamento permitem compreender os critérios pastorais na Igreja primitiva relativamente: à missão evangélica que está ao serviço da palavra; à celebração litúrgica e ao serviço sacramental; à comunidade eclesial e ao serviço de comunhão; aos cristãos na sociedade com serviço de transformação.

A ação pastoral na história da Igreja
A ação pastoral da Igreja no decorrer da sua história, nem sempre tem sido coerente com a totalidade do seu ministério, isto percebe-se pela análise das diversas imagens e conceções: ação pastoral da Igreja no império romano (séc. II - III), como povo de Deus, a Igreja recebe a missão de evangelização; época patrística (séc. IV - VII), o Cristianismo deixa de ser uma religião proibida e passa a ser religião oficial do estado; época medieval, ação pastoral da Igreja na cristandade (séc. VIII - XV), época de grandes implicações estatais para a Igreja; época moderna, ação pastoral da Igreja na Reforma e Contra Reforma (séc. XVI - XVIII), onde a Igreja deve ser entendida como instituição e instrumento de salvação; época da Ilustração e do Liberalismo (séc. XVIII - XIX), vive-se um clima de confrontação com o protestantismo, com uma pastoral da diferenciação, centrada em defender e preservar os católicos das heresias; primeira metade do séc. XX, a ação pastoral da Igreja anterior ao Vaticano II, época das renovações bíblicas, litúrgica e patrística.

História da Igreja pastoral
Uma das características mais marcantes da teologia nos últimos anos é a sua dimensão pastoral e a sua consideração prática, mas este não foi um percurso fácil. 
No ano de 1215 se decretou a importância da educação do clero no trabalho pastoral. Atribui-se a Pedro Canisio (1521-1597) a utilização, pela primeira vez, da denominação de Teologia Prática, mas apenas em 3 de outubro de 1774, se formou a disciplina Teologia Pastoral, por um real decreto da imperatriz Maria Teresa de Áustria, que aceita um plano de reforma dos estudos eclesiásticos. 
A teologia pastoral católica passou por diferentes etapas: a primeira de conceção pragmática, não teológica; a segunda de conceção bíblica e histórico-salvífica; a terceira de conceção eclesiológica; a quarta de conceção clérical.
K. Rahner foi fundamental para um novo impulso da teologia pastoral.Com o Concílio Vaticano II a Teologia Pastoral é considerada uma disciplina rigorosa e autónoma, que tem como objeto a Igreja.