sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Cronologia da Teologia Pastoral

Tempo
Espaço
História Universal
Teologia Geral
Teologia Prática
Século XVIII
1760




1774



1789


Inglaterra

Europa


Áustria



França


Revolução Industrial
Iluminismo
Josefinismo
Absolutismo
Reforma universitária implantada por Maria Teresa de Áustria
Revolução Francesa
Unilateralidade visível e hierárquica da teologia tridentina na sua conceção eclesiológica;
Igreja ao serviço do poder;
Decadência das ciências teológicas.

Nascimento da Teologia Pastoral;
Os pastores estudam em exclusivo a teologia pastoral;
Surge como uma arte e uma técnica;
Pragmática.
Século XIX
1844

1871




1869




Inglaterra

França
Alemanha

Itália


“A origem das espécies”, Darwin
Imperialismo Inglês
Escola metódica
Positivismo
Unificação da Alemanha
Concílio Vaticano I
Orientação eclesiológica de A. Graf, na escola de Tubinga;
A teologia é a autoconsciência científica da Igreja;
Conceitos românticos da escola de Tubinga – a Igreja é um organismo vivente que se edifica a si mesma;
“Dei Filius”
Orientação bíblico-teológica da escola de Tubinga;
Importância da obra de J. A. Möhler;
O pastor está ao serviço da revelação, sendo a Igreja mediação;
Sagrada Escritura como base da Teologia Pastoral;
Época dos manuais de pastoral.
Séculos XX - XXI
1914

1939

1962
1974
1989

2001



Mundo


Itália
Portugal
Alemanha

EUA/Mundo


1ª Guerra Mundial

2ª Guerra Mundial
Guerra Fria
Concílio Vaticano II
Revolução de Abril
Queda do muro de Berlim
Terrorismo
Constituições do Vaticano II: Dei Verbum, Lumen Gentium, Sacrosanctum Concilium e Gaudium et Spes;
Condenação do Fascismo, Nazismo e Comunismo;
Espirito Ecuménico;
Teologia da Libertação.

Renovações bíblicas, litúrgica e patrística;
K. Rahner teve um contributo importante na teologia pastoral;
Maior importância às questões pastorais;
Pastoral de conjunto;
Igreja diocesana como unidade pastoral;
Maior intervenção dos leigos.

sábado, 24 de outubro de 2015

Síntese da Abordagem Histórica da Teologia Prática

"Teologia Practica. Teoria y Praxis de la Accion Pastoral " -  Casiano Floristan.

O artigo de Casiano Floristan aborda a história da Teologia Prática, onde a divide em nos seguintes temas:
  • A práxis de Jesus
  • A ação pastoral da Igreja primitiva
  • A ação pastoral na história da Igreja
  • História da Igreja pastoral
A práxis de Jesus
A práxis de Jesus está relatada nos evangelhos, estes não são apenas relatos biográficos, são testemunhos de fé, da práxis pré-pascal e pascal de Jesus. A fé expressa-se de acordo com as imagens que temos de Jesus Cristo, que é o centro de toda a ação pastoral, e que nos remete para um pensamento cristológico. 
O povo cristão confessa a sua fé através imagens iconográficas e representações conceptuais de acordo com aspetos culturais, afirmações conciliares, sínteses catequéticas, rituais litúrgicos e livros de devoção.
A ação pastoral após a Segunda Guerra Mundial manifesta-se por dois modelos: um mais conservador com uma cristologia pastoral dedutiva que levou a uma Igreja centrada na sua problemática interna; o outro modelo é mais progressista com cristologias pastorais genealógicas, sendo estas cristologias mais sensíveis à dimensão social e política dos relatos evangélicos.
A práxis de Jesus assenta em modelos de comportamento descritos nos evangelhos, onde Lhe é aplicado os seguintes títulos: Cristo, Messias, Senhor, Salvador, Filho de Deus.
Referir que Jesus é o profeta do reinado de Deus, que Jesus chamou os discípulos para a tarefa de antecipar a chegada do reinado de Deus e que Jesus atua em consciência de ser de Deus a quem chama Pai, é uma reflexão sobre as dimensões da práxis de Jesus.
Os milagres, o perdão e a comunidade da mesa são ações essenciais na práxis de Jesus que é delineada por três níveis: económico; político; ético-social.

A ação pastoral da Igreja primitiva
A análise no Novo Testamento é fundamental para se conhecer a ação pastoral da Igreja primitiva, nomeadamente os Actos e as Cartas apostólicas.
O surgimento da Igreja primitiva divide-se em três etapas: Jesus de Nazaré (6 a.C. - 30 d.C.);as comunidades (anos 30 - 70); redação dos escritos (70 - 100 d.C.). O Cristianismo primitivo desenrolou-se em dois meios culturais, o mundo helenístico-romano e o mundo da Palestina judaica.
Os textos do Novo Testamento permitem compreender os critérios pastorais na Igreja primitiva relativamente: à missão evangélica que está ao serviço da palavra; à celebração litúrgica e ao serviço sacramental; à comunidade eclesial e ao serviço de comunhão; aos cristãos na sociedade com serviço de transformação.

A ação pastoral na história da Igreja
A ação pastoral da Igreja no decorrer da sua história, nem sempre tem sido coerente com a totalidade do seu ministério, isto percebe-se pela análise das diversas imagens e conceções: ação pastoral da Igreja no império romano (séc. II - III), como povo de Deus, a Igreja recebe a missão de evangelização; época patrística (séc. IV - VII), o Cristianismo deixa de ser uma religião proibida e passa a ser religião oficial do estado; época medieval, ação pastoral da Igreja na cristandade (séc. VIII - XV), época de grandes implicações estatais para a Igreja; época moderna, ação pastoral da Igreja na Reforma e Contra Reforma (séc. XVI - XVIII), onde a Igreja deve ser entendida como instituição e instrumento de salvação; época da Ilustração e do Liberalismo (séc. XVIII - XIX), vive-se um clima de confrontação com o protestantismo, com uma pastoral da diferenciação, centrada em defender e preservar os católicos das heresias; primeira metade do séc. XX, a ação pastoral da Igreja anterior ao Vaticano II, época das renovações bíblicas, litúrgica e patrística.

História da Igreja pastoral
Uma das características mais marcantes da teologia nos últimos anos é a sua dimensão pastoral e a sua consideração prática, mas este não foi um percurso fácil. 
No ano de 1215 se decretou a importância da educação do clero no trabalho pastoral. Atribui-se a Pedro Canisio (1521-1597) a utilização, pela primeira vez, da denominação de Teologia Prática, mas apenas em 3 de outubro de 1774, se formou a disciplina Teologia Pastoral, por um real decreto da imperatriz Maria Teresa de Áustria, que aceita um plano de reforma dos estudos eclesiásticos. 
A teologia pastoral católica passou por diferentes etapas: a primeira de conceção pragmática, não teológica; a segunda de conceção bíblica e histórico-salvífica; a terceira de conceção eclesiológica; a quarta de conceção clérical.
K. Rahner foi fundamental para um novo impulso da teologia pastoral.Com o Concílio Vaticano II a Teologia Pastoral é considerada uma disciplina rigorosa e autónoma, que tem como objeto a Igreja.